domingo, 28 de junho de 2015

Uma história no museu: o surgimento da terra para o povo Yoruba.



           “Os Yorubas acreditam que a terra era um planeta só de água, ligado até os céus por uma corrente de 14 mil elos. No céu morava Olodumare (que era o Deus supremo) e seus dois filhos gêmeos. Um dia ele falou a um dos seus filhos: “está vendo aquele planeta lá embaixo? Eu estou enjoado de ficar olhando esse monte de água, vou te dar um punhado de terra e uma galinha, você vai chegar lá embaixo e colocar a terra, depois a galinha por cima, deixar ela ciscar e o serviço estará pronto.” Então o filho desceu pela corrente e se deparou com uma palmeira de vinho, começou a beber, beber e beber.. Ele passou do limite, bebeu demais, desmaiou e ficou lá dormindo. Olodumare vendo que nada acontecia, pede o outro filho para conferir. Quando vai descendo a corrente, vê o irmão desmaiado, pega a galinha e vai cumprir a missão lá embaixo. Coloca o punhado de terra no chão, a galinha em cima e ela começa a ciscar, a formar a terra. Nesse meio tempo, Olodumare já começava a criar os animais e dispersa-los lá de cima, e nomeava-os.
          Algum tempo depois, retornam os dois irmãos, o primeiro filho arrependido vai pedir desculpas e pergunta ao pai o que deve fazer pra ganhar o perdão. Olodumare pede que ele crie um ser para habitar o planeta lá embaixo com os animais, explica que esse ser deve ser feito do barro, mas o filho mal espera ele terminar e desce correndo pra fazer o serviço. Dessa vez, traumatizado, ele passa direto pela palmeira de vinho e chega a terra. Lá ele se pergunta: “mas o que é o barro?” e então surge a Deusa do Mar, Yemanjá, e o presenteia com o barro, ela começa a molhar aquela terra perto da praia e explica pra ele que é daquilo que o pai quer que ele faça o ser. Ele começa a moldar o barro e quando chega aos céus com esse boneco para mostrar ao pai, Olodumare aprova e dá o sopro da vida ao boneco. E é assim que o povo Yoruba começou a semear a terra.”

Contada por Marcos Felipe, espaço de conhecimento UFMG.

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